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Professor de capoeira é julgado por esganar garota


Jovem foi assassinada em sua residência, 
no Parque São Vicente

Acusado de esganar uma adolescente, o professor de capoeira e cabeleireiro Luiz Rodolfo Justino Silva, de 32 anos, terá o seu destino decidido amanhã, a partir das 9 horas, no Fórum de São Vicente.

O réu sempre negou o crime. Caso seja considerado culpado, está sujeito a pena que varia de 12 a 30 anos de reclusão. No entanto, como responde atualmente ao processo em liberdade, na hipótese de condenação, ele poderá apelar solto.

Esta é a segunda vez que Luiz Rodolfo senta no banco dos réus para ser julgado pela morte da estudante Léia Cristina da Quinta Schenkel, de 16 anos. No primeiro julgamento, ele estava preso preventivamente, sendo absolvido e solto. 

Porém, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) anulou o júri e determinou a realização de outro. Apesar desta decisão, o acusado permaneceu livre.

A garota foi assassinada em seu apartamento, na Rua Guarani, no Parque São Vicente, em 25 de janeiro de 2009. Ela residia com uma irmã adulta, que saiu no início da manhã para trabalhar e retornou por volta das 19 horas, constatando o homicídio.

O apartamento estava trancado, mas a chave não foi encontrada. O imóvel não apresentava sinais de arrombamento e não foi constatada a falta de nada, com exceção da chave, sendo descartada a hipótese de roubo.

A adolescente foi achada morta na cama e tinha hematomas no pescoço. Exame necroscópico atestou que ela faleceu em decorrência de asfixia mecânica, mediante esganadura (quando o pescoço da vítima é pressionado pelas mãos do criminoso).

Investigação 

O delegado Jorge Álvaro Gonçalves Cruz foi o responsável pelo inquérito policial. Ele concluiu que Luiz Rodolfo matou Léia e é a principal testemunha a ser ouvida amanhã no plenário do júri. Para esclarecer o caso, Cruz analisou imagens de câmeras do prédio.

O acusado morava com a avó, no mesmo edifício da adolescente. Imagens das câmeras mostram ele parado no térreo, de modo suspeito, na data do homicídio. Certo tempo depois, o réu some do campo de visão dos equipamentos de segurança, até reaparecer saindo do bloco onde Léia residia.

Após verificar os horários das cenas e confrontá-los com outros dados, o delegado concluiu que Luiz Rodolfo entrou no apartamento da garota pela área de serviço, que ficava aberta e assim foi encontrada no dia do homicídio.

“O apartamento fica no 1º andar e a janela da área de serviço está a 80 centímetros da laje. O local é de fácil escalada e a perícia demonstrou que uma pessoa com compleição física inferior à do réu conseguiu ingressar no imóvel em 38 segundos”, disse Cruz.

Outra prova produzida no inquérito policial é o laudo de exame de corpo de delito realizado no professor de capoeira. O resultado dessa perícia constatou lesões no ombro e braço direitos, “típicas de unhadas desferidas por quem tentou repelir um ataque”, enfatizou o delegado.

Advogado quer nova absolvição 

Alex Sandro Ochsendorf é o advogado de Luiz Rodolfo e sustentará em plenário a tese de negativa de autoria. Esse argumento do defensor já foi acolhido pelo conselho de sentença no primeiro julgamento, realizado em 3 de maio de 2011.

Porém, inconformado com a absolvição, o Ministério Público recorreu. Por unanimidade, o TJ-SP deu provimento à apelação, considerando que a decisão dos jurados “contrariou manifestamente a prova dos autos (do processo)” e determinando a realização de novo júri.

Sobre a decisão do TJ-SP, Ochsendorf a classificou como “absurda, porque desmereceu o veredicto legítimo dos jurados”. O advogado, no entanto, afirmou estar tranquilo para o júri de amanhã, por confiar nas provas do processo.

Marcado para o último dia 25 de agosto, o segundo julgamento não aconteceu nessa data porque não foram intimadas duas testemunhas da defesa e uma da acusação.

Segundo o promotor de Justiça André Luiz dos Santos, o professor de capoeira cometeu um homicídio qualificado pela asfixia, consistente em esganadura, e pelo emprego de recurso que impossibilitou a defesa da vítima, surpreendida enquanto dormia.

30/11/2015

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